quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Canções que nada dizem


Não há canções que nada dizem. Alguma coisa elas dizem, para quem as compôs, para quem as canta e para quem as repete. Podem não dizer nada para mim e pra você que temos outros gostos, outra cultura, outra fé e outras informações. Também não gostamos de certos sucos, certos alimentos e certas bebidas. Outros gostam! Se fazem bem ou mal, depende de cada organismo. A nós talvez não façam bem. Não digerimos como eles digerem! 

Diga-se o mesmo de sambas, rocks e marchas, de ritmos de ontem, da música Disco, ou de como Beatles, Abba, Michael Jackson e Madonna. Há quem goste e detecte uma mensagem onde não detectamos. Rap, reggae, afro, clássico, hip hop são gêneros que dizem algo a algum grupo. Mas se quiserem trazê-lo para a liturgia é hora de enfrentá-los. Se nos enfrentam, sejam enfrentados! 

Porque, uma coisa é a música que nos agrada e outra, a música de igreja que por definição não nos pertence. Um compositor de música religiosa supostamente é chamado a servir à catequese da sua igreja. Então, sua canção não pode servir apenas a um movimento, nem a uma só linha de espiritualidade. Se for o caso, não a cante numa missa onde há outros grupos, ou em qualquer encontro, pois seria impor sua maneira de pensar aos demais. A música religiosa tem que dizer o que a Igreja espera que seja dito em seus cultos e concentrações. Nem mesmo a letra nos pertencerá. Por isso, alguém mais abalizado precisa opinar sobre o que cantamos para todos os católicos. 

O recado serve para músicos franciscanos, salesianos, dehonianos, da RCC, ou vicentinos. Há canções típicas de nossa linha de espiritualidade, cantáveis em nossos lugares de oração. Há outras, mais abrangentes, feitas para todos os católicos. Precisam transmitir a catequese de todos. Estas tem outro destino. 

Leio algumas letras não religiosas e outras religiosas. Duas delas dizem egocentricamente: -"Preciso de um alguém que me dê o seu amor, que seja só para mim e que me faça feliz. Quero o amor mais sincero do jeito que eu o quero/do jeito que eu sempre quis E então eu serei feliz". 

"Hei de amar somente a Deus, o resto pra mim é nada. Só a Deus eu amarei." 

Uma Igreja cristã não pode assinar em baixo dessas duas canções, nem cantá-las porque são egoístas. Os autores pensaram apenas em si ao escrevê-las. Esqueceram que seriam cantadas para outras pessoas. No seu bojo tais canções traem fechamento. São dois gritos egoístas, ainda que uma delas seja supostamente religiosa. Falta nelas o essencial do que se entende por amor cristão: o amor ao próximo e nosso dever de também amá-lo. 

Canções sempre dizem alguma coisa, mas canções religiosas não podem negar o catecismo. Por natureza, estão sujeitas à censura. Se uma palavra dela nega uma doutrina, a autoridade mande corrigi-la, cantar diferente ou, simplesmente, não mais cantá-la. Não basta ser bonita e fazer bem à banda que a executa. Tem que ser mensagem da Igreja. Se alguém insiste nela, já que fundou uma banda, funde também sua própria igreja! Mas, então, não a considere igreja cristã... 

Pe. Zezinho, scj

Um comentário:

  1. Como sempre, lúcido demais nosso querido Pe. Zezinho.

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