sábado, 25 de fevereiro de 2012

Quaresma



Como viver bem esse tempo forte de meditação, oração, jejum, esmola?

Neste tempo especial de graças que é a Quaresma devemos aproveitar ao máximo para fazermos uma renovação espiritual em nossa vida. O Apóstolo São Paulo insistia: "Em nome de Cristo vos rogamos: reconciliai-vos com Deus!" (2 Cor 5, 20); "exortamo-vos a que não recebais a graça de Deus em vão. Pois ele diz: Eu te ouvi no tempo favorável e te ajudei no dia da salvação (Is 49,8). Agora é o tempo favorável, agora é o dia da salvação." (2 Cor 6, 1-2).
Cristo jejuou e rezou durante quarenta dias (um longo tempo) antes de enfrentar as tentações do demônio no deserto e nos ensinou a vencê-lo pela oração e pelo jejum. Da mesma forma a Igreja quer ensinar-nos como vencer as tentações de hoje. Daí surgiu a Quaresma.
Na Quarta-Feira de Cinzas, quando ela começa, os sacerdotes colocam um pouquinho de cinzas sobre a cabeça dos fiéis na Missa. O sentido deste gesto é de lembrar que um dia a vida termina neste mundo, "voltamos ao pó" que as cinzas lembram. Por causa do pecado, Deus disse a Adão: "És pó, e ao pó tu hás de tornar". (Gênesis 2, 19)
Este sacramental da Igreja lembra-nos que estamos de passagem por este mundo, e que a vida de verdade, sem fim, começa depois da morte; e que, portanto, devemos viver em função disso. As cinzas humildemente nos lembram que após a morte prestaremos contas de todos os nossos atos, e de todas as graças que recebemos de Deus nesta vida, a começar da própria vida, do tempo, da saúde, dos bens, etc.
Esses quarenta dias devem ser um tempo forte de meditação, oração, jejum, esmola ('remédios contra o pecado'). É tempo para se meditar profundamente a Bíblia, especialmente os Evangelhos, a vida dos Santos, viver um pouco de mortificação (cortar um doce, deixar a bebida, cigarro, passeios, churrascos, a TV, alguma diversão, etc.) com a intenção de fortalecer o espírito para que possa vencer as fraquezas da carne.
Na Oração da Missa de Cinzas a Igreja reza: "Concedei-nos ó Deus todo poderoso, iniciar com este dia de jejum o tempo da Quaresma para que a penitência nos fortaleça contra o espírito do Mal".
Sabemos como devemos viver, mas não temos força espiritual para isso. A mortificação fortalece o espírito. Não é a valorização do sacrifício por ele mesmo, e de maneira masoquista, mas pelo fruto de conversão e fortalecimento espiritual que ele traz; é um meio, não um fim.
Quaresma é um tempo de "rever a vida" e abandonar o pecado (orgulho, vaidade, arrogância, prepotência, ganância, pornografia, sexismo, gula, ira, inveja, preguiça, mentira, etc.). Enfim, viver o que Jesus recomendou: "Vigiai e orai, porque o espírito é forte, mas a carne é fraca".
Embora este seja um tempo de oração e penitência mais profundas, não deve ser um tempo de tristeza, ao contrário, pois a alma fica mais leve e feliz. O prazer é satisfação do corpo, mas a alegria é a satisfação da alma.
Santo Agostinho dizia que "o pecador não suporta nem a si mesmo", e que "os teus pecados são a tua tristeza; deixa que a santidade seja a tua alegria". A verdadeira alegria brota no bojo da virtude, da graça; então, aQuaresma nos traz um tempo de paz, alegria e felicidade, porque chegamos mais perto de Deus.
Para isso podemos fazer uma confissão bem feita; o meio mais eficaz para se livrar do pecado. Jesus instituiu a confissão em sua primeira aparição aos discípulos, no mesmo domingo da Ressurreição (Jo 20,22) dizendo-lhes: "a quem vocês perdoarem os pecados, os pecados estarão perdoados". Não há graça maior do que ser perdoado por Deus, estar livre das misérias da alma e estar em paz com a consciência.
Jesus quis que nos confessemos com o sacerdote da Igreja, seu ministro, porque ele também é fraco e humano, e pode nos compreender, orientar e perdoar pela autoridade de Deus. Especialmente aqueles que há muito não se confessam, têm na Quaresma uma graça especial de Deus para se aproximar do confessor e entregar a Cristo nele representado, as suas misérias.
Uma prática muito salutar que a Igreja nos recomenda durante a Quaresma, uma vez por semana, é fazer o exercício da Via Sacra, na igreja, recordando e meditando a Paixão de Cristo e todo o seu sofrimento para nos salvar. Isto aumenta em nós o amor a Jesus e aos outros.
Não podemos esquecer também que a Santa Missa é a prática de piedade mais importante da fé católica, e que dela devemos participar, se possível, todos os dias da Quaresma. Na Missa estamos diante do Calvário, o mesmo e único Calvário. Sim, não é a repetição do Calvário, nem apenas a sua "lembrança", mas a sua "presentificação"; é a atualização do Sacrifício único de Jesus. A Igreja nos lembra que todas as vezes que participamos bem da Missa, "torna-se presente a nossa redenção".
Assim podemos viver bem a Quaresma e participar bem da Páscoa do Senhor, enriquecendo a nossa alma com as suas graças extraordinárias; podendo ser melhor e viver melhor.

Felipe Aquino

  

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Curai os Enfermos

Cardeal Odilo Pedro Scherer
Arcebispo de São Paulo (SP)

No dia 11 de fevereiro, festa de Nossa Senhora de Lourdes, a Igreja celebrou também o Dia Mundial do Enfermo. Em Lourdes, com as aparições de Nossa Senhora a S. Bernardete surgiu uma fonte para onde verdadeiras multidões de pessoas já acorreram para procurar a cura de suas doenças.
Certamente, a comemoração do Dia Mundial do Enfermo na festa de Nossa Senhora de Lourdes está relacionada com esse dado. Na Europa, ainda hoje, partem “trens-enfermaria” de muitos lugares com destino a Lourdes, levando doentes de todo tipo, acompanhados durante essa viagem para a “fonte da saúde”, aos pés de Nossa Senhora, por médicos, enfermeiros e voluntários em grande número.
Todos os anos, o Papa emite uma bela Mensagem para o Dia mundial do Enfermo. Neste ano, ao mesmo tempo em que a Mensagem é confortadora para os enfermos, ela se refere aos “Sacramentos da Cura” – Penitência, ou Reconciliação, e Unção dos Enfermos. Partindo da cura dos dez leprosos e da palavra – “vai, a tua fé te salvou” - dita por Jesus àquele único, que voltou para agradecer a Jesus por sua cura (cf Lc 17,11-19), o Papa fala da importância da fé em Deus para aqueles que se encontram nas angústias do sofrimento e da enfermidade.
As fragilidades da saúde abrem o coração mais facilmente para Deus, fazem experimentar os limites e procurar o Senhor da vida. No encontro com Ele, o doente pode ter a certeza de não estar sozinho, abandonado à própria sorte. Deus está próximo de todos nós e nos envolve com sua paternal providência; mas o doente pode perceber ainda melhor que, em suas angústias e sofrimentos, o “Bom Samaritano” ajuda a quem está caído a se levantar, a carregar e suportar seu fardo. Em Deus, a fragilidade humana encontra amparo: “teu bastão e teu cajado me dão segurança!” (Sl 22).
Bento XVI chama a atenção para a missão religiosa específica dos Ministros da Igreja em relação aos doentes e à cura dos “corações atribulados”. O Sacramento da Penitência, ou Reconciliação, é um dos Sacramentos da Cura, e oferece às pessoas a possibilidade de restaurar as dilacerações da alma, provocadas pelo pecado. Graças à misericórdia de Deus, buscada e acolhida através desse Sacramento, a experiência do pecado não degenera em desespero, mas encontra o Amor que perdoa e transforma.
O Sacramento da Unção dos Enfermos faz prolongar na vida e na ação da Igreja aquele amor atencioso, compassivo e delicado de Jesus em relação aos doentes, que se aproximavam dele em grande número. Por este Sacramento, os doentes são ajudados a viver na dimensão da fé o tempo da enfermidade, que não deve ser um tempo desperdiçado na vida, pois tem enorme valor e fecundidade, quando vivido no horizonte da fé em Deus. Mediante a Unção dos Enfermos, acompanhada pela oração dos sacerdotes, a Igreja inteira recomenda os doentes ao Senhor sofredor e glorificado, a fim de que alivie suas penas e os salve; e exorta os próprios enfermos a unirem-se espiritualmente à paixão e morte de Jesus, para contribuir, deste modo, para o bem do Povo de Deus.
O Papa exorta a Igreja a valorizar mais, tanto na reflexão teológica como na prática pastoral, a Unção dos Enfermos, que não deve ser considerado como um “Sacramento menor” em relação aos demais; é necessário valorizar mais as diversas situações humanas ligadas à doença, e não apenas o fim da vida, relacionando-as com os conteúdos da fé, do amor e da esperança cristã. E o Papa aponta também para a importância da Eucaristia para os doentes, que podem, através de sua acolhida, associar-se mais estreitamente ao Mistério da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor.
“Saúde”, finalmente, relaciona-se com a plenitude de vida e a salvação eterna das pessoas. Como cristãos, devemos estar atentos a não deixar que as pessoas enfermas e próximas da morte sejam confiadas apenas aos serviços técnicos dos profissionais da saúde – que também não devem faltar. Nesta hora, não devem faltar a assistência e o conforto da fé para quem se encontra diante da grande decisão de sua vida, antes de apresentar-se diante de Deus. As comunidades católicas estejam, por isso, muito atentas para que não faltem as palavras da fé e o “Pão da Vida”, para aqueles que dele tanto necessitam!

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Canções que nada dizem


Não há canções que nada dizem. Alguma coisa elas dizem, para quem as compôs, para quem as canta e para quem as repete. Podem não dizer nada para mim e pra você que temos outros gostos, outra cultura, outra fé e outras informações. Também não gostamos de certos sucos, certos alimentos e certas bebidas. Outros gostam! Se fazem bem ou mal, depende de cada organismo. A nós talvez não façam bem. Não digerimos como eles digerem! 

Diga-se o mesmo de sambas, rocks e marchas, de ritmos de ontem, da música Disco, ou de como Beatles, Abba, Michael Jackson e Madonna. Há quem goste e detecte uma mensagem onde não detectamos. Rap, reggae, afro, clássico, hip hop são gêneros que dizem algo a algum grupo. Mas se quiserem trazê-lo para a liturgia é hora de enfrentá-los. Se nos enfrentam, sejam enfrentados! 

Porque, uma coisa é a música que nos agrada e outra, a música de igreja que por definição não nos pertence. Um compositor de música religiosa supostamente é chamado a servir à catequese da sua igreja. Então, sua canção não pode servir apenas a um movimento, nem a uma só linha de espiritualidade. Se for o caso, não a cante numa missa onde há outros grupos, ou em qualquer encontro, pois seria impor sua maneira de pensar aos demais. A música religiosa tem que dizer o que a Igreja espera que seja dito em seus cultos e concentrações. Nem mesmo a letra nos pertencerá. Por isso, alguém mais abalizado precisa opinar sobre o que cantamos para todos os católicos. 

O recado serve para músicos franciscanos, salesianos, dehonianos, da RCC, ou vicentinos. Há canções típicas de nossa linha de espiritualidade, cantáveis em nossos lugares de oração. Há outras, mais abrangentes, feitas para todos os católicos. Precisam transmitir a catequese de todos. Estas tem outro destino. 

Leio algumas letras não religiosas e outras religiosas. Duas delas dizem egocentricamente: -"Preciso de um alguém que me dê o seu amor, que seja só para mim e que me faça feliz. Quero o amor mais sincero do jeito que eu o quero/do jeito que eu sempre quis E então eu serei feliz". 

"Hei de amar somente a Deus, o resto pra mim é nada. Só a Deus eu amarei." 

Uma Igreja cristã não pode assinar em baixo dessas duas canções, nem cantá-las porque são egoístas. Os autores pensaram apenas em si ao escrevê-las. Esqueceram que seriam cantadas para outras pessoas. No seu bojo tais canções traem fechamento. São dois gritos egoístas, ainda que uma delas seja supostamente religiosa. Falta nelas o essencial do que se entende por amor cristão: o amor ao próximo e nosso dever de também amá-lo. 

Canções sempre dizem alguma coisa, mas canções religiosas não podem negar o catecismo. Por natureza, estão sujeitas à censura. Se uma palavra dela nega uma doutrina, a autoridade mande corrigi-la, cantar diferente ou, simplesmente, não mais cantá-la. Não basta ser bonita e fazer bem à banda que a executa. Tem que ser mensagem da Igreja. Se alguém insiste nela, já que fundou uma banda, funde também sua própria igreja! Mas, então, não a considere igreja cristã... 

Pe. Zezinho, scj

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Coração de Águia...



 «Considero-me como débil passarinho coberto de leve plumagem. Não sou águia; só tenho dela os olhos e o coração, mas apesar da minha extrema pequenez, atrevo-me a olhar fixamente para o Sol divino, o Sol do amor, e o meu coração sente em si todas as aspirações da águia.

O passarinho quisera voar até esse brilhante sol que fascina seus olhos. Que será dele? Morrerá de dor vendo-se impotente? Oh não! O passarinho nem sequer chega a afligir-se. Com um abandono audaz quer continuar a olhar fixamente para o seu divino sol. Nada o assusta, nem o vento nem a chuva. Se nuvens escuras vêm ocultar o Astro do Amor, o passarinho não muda de lugar; sabe que além das nuvens o seu Sol continua a brilhar, que o seu esplendor não poderá eclipsar-se nem um só momento» (1)
Somos apenas um pardal, mas temos coração de águia. Este é o mistério terrível e contraditório do homem: sentir-se, ao mesmo tempo, pardal e águia; ter um coração de águia e asas de pardal.
Que fazer? Sei que não posso voar tão alto. Nem tentarei. Nem sequer baterei as asas; entregar-me-ei às asas do vento; o vento é Deus. O resto fá-lo Ele. Sei que sou um pardal, mas sei também que, com uma grande paz, me entrego a Deus. Ele pode emprestar-me poderosas asas de águia. Haverá alguma coisa impossível para Ele?
Sei que sou um montão de ruínas e desolação; mas sei também que, se me entrego a Deus, Ele pode transformar-me numa mansão deslumbrante. Ele é Poder e Graça.»


Ignacio Larrañaga, em "Mostra-me o Teu Rosto"

sábado, 21 de janeiro de 2012

Unidade: Ideal de Cristo

Dom Gil Antônio Moreira 
Arcebispo de Juiz de Fora (MG)
Um dos mais fervorosos pedidos de Cristo na oração foi que todos encontrem meios para superar as diferenças e promovam a unidade. A união é expressão do amor, enquanto a desunião é fruto do mal. No evangelho de João, Jesus repete por três vezes o mesmo pedido: “Pai que todos sejam um, como eu e Tu!” (cf. Jo.17, 21 ss).  Em Pentecostes, quando veio o Espírito Santo sobre os discípulos, reunidos em Jerusalém, 50 dias após a ressurreição do Senhor, estavam presentes os Apóstolos, a Mãe de Jesus, e um bom número de outros, conforme a Sagrada Escritura ( cf. Atos dos Apóstolos, 1, 1 ss).  A manifestação extraordinária do Espírito Santo era esperada, mesmo porque sua ordinária presença é uma realidade para aqueles que crêem.    O  Espírito Santo é força de unificação como expressa Paulo aos Coríntios:  Ninguém pode dizer: Jesus é o Senhor, a não ser no Espírito Santo.  Há diversidade de dons, mas um mesmo é o Espírito. (ICor.12,3). Após a extraordinária experiência mística daquela manhã, os Apóstolos saíram anunciando Jesus Cristo como Filho de Deus feito homem que fora morto pelo poder constituído, ressuscitara, estava vivo e não podia mais morrer. A informação bíblica diz que a pregação era tão convincente que cada um, mesmo estrangeiro, os entedia em sua própria língua. É a linguagem unificadora do amor autêntico, aquele que vem de Deus. Com o Pentecostes, nasce propriamente a Igreja fundada por Cristo. O Senhor já havia previsto isto aos discípulos quando, ressuscitado, sentou-se com eles à mesa mais uma vez e disse: recebereis o Espírito Santo, que descerá sobre vós e sereis minhas testemunhas em Jerusalém e em toda a Judéia e na Samaria e até as extremidades da terra. (At.1,8)
Hoje, após dois mil anos, contudo, os cristãos experimentam dolorosa desunião, organizados em várias igrejas e seitas. A realidade provoca preocupação a todos. Porém, há um consolo. Atualmente, os esforços em busca da unidade perdida são fortes; o diálogo entre os grupos abertos à compreensão é um fato. Na Europa e em outras partes do mundo, nesta semana de janeiro, se celebra a jornada de orações pela união dos cristãos. No Brasil, tal movimento é realizado, todos os anos, na semana que precede a festa de Pentecostes. Com orações pessoais, com a oração litúrgica são realizados encontros em igrejas de diferentes tradições por católicos e não católicos. O Conselho Mundial das Igrejas Cristãs e os Conselhos Nacionais, fundados por não católicos, conta com a participação efetiva da Igreja Católica e de várias outras Igrejas, num clima de serena e sincera fraternidade. Movimentos como o dos Focolares, a Comunidade de Tezé, Mofic e outros espalham o ideal da unidade desejada por Cristo, sempre com a humildade de reconhecer falhas humanas, mas muito mais voltados para aspectos comuns que mantém, ao menos parcialmente unidos, os atuais discípulos do Senhor.
A força do Espírito também garante aos cristãos que as adversidades provocadas pela iniqüidade não serão capazes de ameaçar a Igreja e muito menos a pessoa de Cristo, Filho de Deus, vencedor da morte. Ele já havia dito ao chefe dos Apóstolos: Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. (Mt.16,18) Infelizmente, vez por outra, surgem na história vozes contrárias com objetivo de agredir, desvirtuar, confundir e não raro com o desejo de desconstruir o ideal do amor projetado pelo Pai, comunicado por Jesus.     Não tenhamos medo. Um dos títulos do Espírito Santo é iluminador das mentes, luz dos corações. Seja Ele a claridade para todos, a fim que unidos propaguemos o bem e seja o mal vencido para sempre.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Amigos por algum tempo



Lembra-se daqueles amigos e amigas de bares, restaurantes, rodinhas de samba e de conversas que não conseguiam viver sem você, nem você sem eles? Que fim levaram aqueles sentimentos? 

Por culpa sua talvez, ou deles; por culpa de interesses outros, eles foram fazendo novas amizades e enturmando-se com outros e outras. Esqueceram você. Mas a verdade é que você também os esqueceu. 

Pararam de mandar e-mails, de telefonar, se querer se ver e alguma coisa foi esfriando. Restou o carinho. Você é grato por aqueles encontros, mas já não se vê procurando-os nem eles ou elas a você. 

Ponha esta experiência na conta das circunstâncias. Família nova, trabalhos, outros interesses, pessoas novas entraram nas suas vidas e o que durou alguns anos ainda existe, mas não com a mesma intensidade. Quando se encontrarem será maravilhoso, anotarão telefones e endereços, prometerão novos encontros, mas ficará tudo por isso mesmo, porque distância, tempo e afazeres às vezes separam amigos até então inseparáveis. 

Filosofemos um pouco... O efêmero faz parte da vida. Poucas amizades se mantêm as mesmas pela vida afora. A maioria sofrerá distanciamentos e reajustes. Se você tem algum amigo, uma amiga ou alguém especial que há mais de quinze anos o procura e gosta de ser procurado para mais uma rodada de conversas, risos e correção de dados, agradeça a Deus por este alguém. Ele atravessou os tempos com você. E isso é coisa rara e dom do céu! Amigos são como anjos daqui: estão por perto mesmo que não os notemos, trazem sempre uma nova mensagem, ou atualizam a de sempre cada vez que os encontramos... Mas são humanos e, por isso, são anjos que vão e que vêm... Adote os dois tipos: os que ficaram e o que foram sem de fato ter ido! 

Pe. Zezinho, scj

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

São Sebastião do Rio de Janeiro

Dom Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)
A Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro se irmana para celebrar a Trezena de seu padroeiro, que, neste ano de 2012, terá como tema: “SÃO SEBASTIÃO, jovem discípulo de Jesus Cristo”.
Houvemos por bem escolher esta temática para que toda a nossa cidade, vicariatos, foranias, paróquias, capelas, redes de comunidade e os fiéis em geral se conscientizem acerca da importância da mobilização da nossa juventude em torno da JMJ Rio 2013, que será realizada em nossa cidade e Arquidiocese entre os dias 23 a 28 de julho de 2013. É também o Ano do Discipulado, de acordo com as conclusões do Plano de Pastoral. Todos somos chamados ao seguimento de Jesus Cristo, que deve ser o fim e a fonte de nossa vida, recomeçando sempre por Ele.
Por si só, São Sebastião, jovem soldado do Império Romano, usou de toda a sua energia para confessar a sua fé. Foi por causa da sua convicção em Jesus Cristo que ele foi martirizado, recebendo flechadas, que não fizeram com que ele abdicasse da fé, ao contrário, que ele retornasse diante do seu primeiro algoz e reafirmasse que ele, de maneira solene e pública, reafirmava que acreditava e seguia Jesus Cristo, morto e ressuscitado, que está presente no meio de nós!
Quando no ciclo anual a Igreja faz memória dos mártires e dos outros santos, "proclama o mistério pascal" naqueles e naquelas "que sofreram com Cristo e estão glorificados com Ele, e propõe seu exemplo aos fiéis para que atraia todos ao Pai, por Cristo e, por seus méritos, impetra os benefícios de Deus".
São Sebastião foi um mártir que morreu por ódio à fé católica. O martírio é o supremo testemunho prestado à verdade da fé; designa um testemunho que vai até a morte. O mártir dá testemunho de Cristo, morto e ressuscitado, ao qual está unido pela caridade. Dá testemunho da verdade da fé e da doutrina cristã. Enfrenta a morte num ato de fortaleza.
Assim, em honra do Mártir São Sebastião, participaremos da trezena em preparação à sua festa que iremos, solenemente, celebrar no próximo dia 20 de janeiro. Trezena significa treze dias seguidos de intensa oração, de participação do trezenário com as orações, os pedidos, as súplicas, a ladainha em honra de São Sebastião, pedindo ao Santo Mártir que ele nos proteja contra a peste, a fome e a guerra, e pedindo, acima de tudo, proteção e paz para a cidade do Rio de Janeiro, que nasceu sob o signo da fé católica, protegida por São Sebastião.
A nossa cidade do Rio de Janeiro necessita, também, muito voltar os seus olhares para o Cristo Redentor! Contemplamos nos últimos doze meses muitos avanços na área da segurança pública, no controle da criminalidade, na busca de soluções para os problemas que afligem as pessoas mais carentes dos bairros mais distantes. Mas devemos caminhar muito ainda na melhoria da condição de emprego e renda, de saneamento básico, de água encanada e de luz elétrica, que, por motivos alheios à vontade de muitos moradores, ainda não existem em muitos bairros de nossa cidade.
Nós queremos, com o trezenário de São Sebastião, levar a mensagem central da vida e do testemunho de “nosso” santo aos moradores e fiéis de todos os recantos da cidade, particularmente aos jovens. A exemplo de São Sebastião queremos anunciar que é possível não ter medo e não ter vergonha de viver a fé católica. A Igreja Católica tem uma presença fundamental, desde o início, na constituição e na formação da cidade do Rio de Janeiro e de todas as suas regiões. São obras sociais, como creches, asilos, escolas, orfanatos, escolas profissionalizantes, além da formação social, política, ética e moral que os valores do Evangelho e o exemplo de São Sebastião nos irmanam a lutar por uma sociedade mais justa, fraterna e solidária.
Assim, eu quero convidar todos os fiéis de nossa Arquidiocese, de todos os lugares e estabelecimentos, eclesiais, públicos e particulares, em que a imagem peregrina de São Sebastião irá passar para se prepararem condignamente, acorrendo às carreatas, procissões pelas ruas, bairros e vielas de nossa metrópole, a fim de reafirmamos a nossa fé em Cristo e a nossa profunda admiração e confiança por São Sebastião, padroeiro desta cidade maravilhosa.
Seria oportuno que os fiéis, antes da peregrinação da imagem do Padroeiro, se preparassem com uma completa confissão auricular. A festa de São Sebastião, precedida de seu trezenário, é tempo de graça e de bênçãos para a nossa Arquidiocese. Muitos frutos, pessoais e coletivos, brotarão deste tempo propício de oração e de seguimento de Jesus Cristo.
Se todos os fiéis acorrerem a São Sebastião pedindo a sua proteção, nós sentiremos mais de perto o amor de Deus, a proteção de São Sebastião, e as bênçãos divinas caindo abundantemente sobre nós. Convido, por fim, com filial carinho, a juventude do Rio de Janeiro a conhecer e seguir mais de perto São Sebastião que, por sua morte, tornou-se confessor do seguimento de Jesus Cristo. Jovens, ouçam o apelo da Igreja, que nos convoca a reanimar a fé: “que a Jornada favorece um novo modo de ser homem, de ser cristão, através do voluntariado. Milhares de jovens fizeram o bem simplesmente por que é bom fazer o bem, é bom servir os outros. “É preciso apenas ousar o salto”, afirmou o Papa. “Outra característica das Jornadas é a alegria, que brota da certeza de ser amado por Deus. Só a fé me dá esta certeza: É bom que eu exista; é bom existir como ser humano, mesmo em tempos difíceis.” A fé nos faz felizes a partir de dentro. “Esta é uma das maravilhosas experiências das Jornadas Mundiais da Juventude".
Jovem, eu vos convido: abri o vosso coração para Cristo! É justamente a alegria de São Sebastião que, não tendo medo de confessar a sua fé em Cristo Ressuscitado, anima a nossa juventude do Rio de Janeiro a viver, com empenho, a trezena e a festa de São Sebastião para que, imitando o seu exemplo, confessemos e testemunhemos a fé católica na nossa cidade, que nasceu, cresceu e hoje vive sob a constante proteção de São Sebastião, que sempre nos aponta para o Cristo Redentor, caminho, verdade e vida!